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quarta-feira, 16 de junho de 2010

Crítica: Ratatouille

Homem ou rato afinal?


Imagine um rato na cozinha. Parece nojento, não é?
Uma das coisas mais legais é saber brincar com as antíteses da vida. Improváveis parcerias sendo colocadas a prova em mais um maravilhoso filme dos Estúdios Pixar.
Conheça Rémy, um rato que sonha em se tornar um grande chef. Só que sua família é contra a idéia, pois sua condição de rato não permite que ele permaneça numa cozinha sem ser atacado por um humano enfurecido. Um dia, enquanto estava nos esgotos, ele fica bem embaixo do famoso restaurante de seu herói culinário, Auguste Gusteau (Brad Garrett). Ele decide visitar a cozinha do lugar e lá conhece Linguini (Lou Romano), um atrapalhado ajudante que não sabe cozinhar e precisa manter o emprego a qualquer custo. Rémy e Linguini realizam uma parceria, em que Remy fica escondido sob o chapéu de Linguini e indica o que ele deve fazer ao cozinhar.

Após ter criado mundos alternativos, a Pixar decide focar-se em uma história totalmente ambientada no mundo "humano", especificamente em Paris. A cidade luz, conhecida pelos seu clima nostálgico de lindos cartões-postais e dos melhores restaurantes. É nesse inspirado ambiente em que acompanhamos a jornada do astuto Rémy em busca do seu maior sonho.
É um filme que deve ser visto. Embora não seja o melhor do estúdio, Ratatouille tem uma indentidade única, um filme despretensioso que aos poucos vai alcançando o coração de quem assiste.

É como se aos poucos lembrássemos de velhos sonhos da infância que ficaram esquecidos com o passar do tempo. Tem algo naquele rato que representa muito bem esse lado da aceitação e de que um verdadeiro dom pode emanar de qualquer um. Eu sei que parece um discurso meio viajado, mas um filme bom como esses me faz pensar nessas coisas.

Não comentarei sobre cenas, sequências ou falas.

Apenas uma sugestão da casa: prove desse filme!




Nome original:
Ratatouille
Ano: 2007
Duração: 111 minutos
Direção: Brad Bird
Roteiro: Emily Cook, Kathy Greenberg, Jan Pinkava, Jim Capobianco e Brad Bird
Elenco: Patton Oswalt, Lou Romano, Peter Sohn, Brad Garrett, Janeane Garofalo, Ian Holm, Brian Dennehy e Peter O'Toole

Imagens: divulgação

Crítica: Os Incríveis

Uma incrível família de incríveis super-heróis


Brinquedos que falam e se mexem sozinhos, o mundo no ponto de vista dos insetos, monstros vivendo em sociedade, a vida submarina... Essas são algumas das premissas básicas que a Pixar já explorou no decorrer dos anos. Mas depois de Procurando Nemo, com o sucesso dos filmes de super-heróis, nada mais justo esse ser o novo tema do estúdio, não é mesmo?
E a Pixar fez seu dever de casa. Os Incríveis não é só mais uma animação premiada, mas também um representante de peso da safra dos filmes de super-heróis de sua década.

O filme começa no auge dos tempos do heroísmo, com heróis fantasiados que rodam as ruas da metrópole salvando gatos que sobem em árvores e impedindo assaltos de grandes proporções. É aí que conhecemos o Sr. Incrível - alter ego de Beto Pêra - um super-herói popular e adorado por todos, com o poder da super força e resistência; e a Mulher-Elástico, a heroína flexível, tanto nos poderes quanto nas atitudes.
Mas o governo está para colocar em prática uma lei que proibe o super-heroismo, devido à alguns acontecimentos prejudiciais à população pelos atos de alguns heróis. Todos agora terão que pendurar os uniformes.

Somos transportados então para o tempo presente do filme. O Sr. Incrível trocou os músculos pela barriga e vive apenas como o cabisbaixo Beto Pêra, casado com Helena, a Mulher-Elástico. O casal tem três filhos: Violeta, a garota tímida e insegura, com a capacidade de criar campos de força e de ficar invisível; Flecha, o garoto hiperativo, com o poder da supervelocidade; e o bebê Zezé, o único que ainda não apresentou nenhuma habilidade extraordinária.

Saudoso dos tempos em que salvava pessoas, Beto acaba recebendo um misterioso chamado para voltar a ser o Sr. Incrível de vez, convite que ele aceita sem pensar duas vezes. Mas aos poucos descobre que por trás dessas missões isoladas está o maligno vilão Síndrome.


Tirando os poderes especiais, a família Pêra não passa de uma família normal. Brigas e discussões acontecem com frequência, e a maneira como é trabalhada a relação entre eles é extremamente bem elaborada. Os conflitos internos deixam tudo bastante coerente.
Esse é um dos méritos do filme, transformar uma família superpoderosa numa família comum, com problemas comuns.

Os personagens são outro ponto alto da animação. Todos muito bem trabalhados e explorados, inclusive o Síndrome, que além de ser um vilão cruel, é bastante carismático, se transformando num dos personagens mais divertidos do longa. Há também espaço mais outros legais, como o herói Gelado e a estilista Edna Moda.

Já era de se esperar que o filme traria as melhores cenas de ação do restante do estúdio. As sequências são espetaculares, tudo numa dinâmica de edição incrível, fazendo com que o filme fique impecável visualmente.

Um quesito a destacar é a fotografia e a iluminação. Vemos, por exemplo, as cenas iniciais, onde é mostrada a "era de ouro" dos super-heróis. A iluminação traz cores fortes e vivas, com um tom dourado que se sobrepõe para mostrar a glória dos heróis em sua época. Quando passamos para a cena do Beto desanimado em seu trabalho, anos depois, a iluminação muda para cores menos vibrantes (inclusive nos objetos de cena).
Mas a sensação de glória volta. Na cena onde Beto olha para os cartazes e recortes do Sr. Incrível na parede de sua casa, após receber o convite de retorno, a iluminação retorna com as cores douradas. Uma cena fantástica, que mostra como esse fator técnico interfere diretamente no clima do filme.


Por mostrar conflitos familiares o filme é elevado para outro nível, pois é difícil imaginar que uma animação voltada para o público infantil iria trabalhar conceitos dessa forma. É por explorar elementos fora do padrão das animações de Hollywood que Os Incríveis conseguiu o reconhecimento que ele tem até hoje.


Como eu disse no começo, a Pixar fez seu dever de casa...

E eu não vejo outra nota justa, além de 10.




Nome original
: The Incredibles
Ano: 2004
Duração: 121 minutos
Direção: Brad Bird
Roteiro: Brad Bird
Elenco: Craig T. Nelson, Holly Hunter, Sarah Vowell, Spencer Fox, Samuel L. Jackson, Jason Lee, Brad Bird

Imagens: divulgação
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