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quarta-feira, 10 de novembro de 2010

Crítica: Como Treinar o Seu Dragão

Voe alto


Será que é um pouco tarde para escrever uma crítica deste filme? Bom, sendo o antepenúltimo lançamento da DreamWorks Animation (antecessor de Shrek Para Sempre e Megamente - que estreia aqui em 3 de dezembro), realmente, já tem um tempinho... Ou nem tanto assim, já que os três são de 2010.
A verdade é que não vi Como Treinar o Seu Dragão quando chegou nos cinemas. Mas agora eu digo que o deveria.

Baseado no livro homônimo da autora Cressida Cowell, o longa conta a história de Soluço, um garoto que vive numa aldeia viking que é constantemente atacada por dragões. Uma pessoa é reconhecida como verdadeiro guerreiro quando esta se torna um matador desses répteis alados. Mas o garoto, que é filho do chefe da aldeia, não parece ser como os outros. Ele até tenta, mas sempre acaba atrapalhando e sendo o motivo de piada e preocupação entre os moradores.

Durante um ataque, Soluço consegue atingir um temido dragão conhecido como Fúria da Noite, jamais detido por nenhuma outra pessoa. Esta é a chance do garoto se mostrar um matador de coragem. Mas sua compaixão fala mais alto que seu desejo de ser reconhecido, e é por meio deste ato que ele descobre que os dragões não são feras monstruosas, como todos julgavam. Soluço passa a chamá-lo de Banguela e o mantém em segredo como seu “animal de estimação”. Nasce então uma verdadeira e incomum amizade.




Uma coisa tenho que dizer: o estúdio parece estar evoluindo. Diferente da sua rival Pixar, a DreamWorks costuma apostar mais em animações aventurescas e divertidas, mas sem muito diferencial no roteiro. Como Treinar o Seu Dragão não é o primeiro que coloca mais profundidade na história, mas é, aparentemente, o ápice do estúdio.

A amizade entre o menino e o dragão é leal e bonita. A maneira como ele passar a ver esses cuspidores de fogo nos leva junto e nos convence também. A trama é competente e consegue comover o espectador com um drama especial por trás da aventura, não deixando faltar nada. Confesso que em algumas partes do filme meus olhos piscavam mais de uma vez. E não era cisco nem sono.




Em qualidade técnica a animação é impecável. O visual é exuberante e, mesmo eu não tendo visto em 3D, apreciei um bocado. As feições dos dragões são bastante detalhadas, cada tipo tendo suas próprias características. As paisagens são fantásticas, assim como todos as cenas de vôo, explosões e mergulhos.

Os personagens são bem contruídos e carismáticos. Além do protagonista, tem também a Astrid, que é uma garota firme e sentimental e se torna a companheira de Soluço no decorrer da história. Os outros adolescentes da turma são igualmente divertidos, cada um com sua personalidade.




Enfim, é um filme que vale a pena ser visto. Empolgante, divertido e emocionante, Como Treinar o Seu Dragão é uma bela animação.
Um belo filme.





Nome Original: How to Train Your Dragon
Ano: 2010
Duração: 98 minutos
Direção: Dean DeBlois, Chris Sander
Roteiro: Dean DeBlois
Elenco: Jay Baruchel, Gerard Butler, America Ferrera, Craig Ferguso, Jonah Hill, Christopher Mintz-Plasse

segunda-feira, 1 de novembro de 2010

Crítica: Tropa de Elite 2

A questão agora é outra.

Sinopse oficial: "2010. Nascimento enfrenta um novo inimigo: as milícias. Ao bater de frente com o sistema que domina o Rio de Janeiro, ele descobre que o problema é muito maior do que imaginava. E não é só. Ele precisa equilibrar o desafio de pacificar uma cidade ocupada pelo crime com as constantes preocupações com o filho adolescente. Quando o universo pessoal e o profissional de Nascimento se encontram, o resultado é explosivo."
A continuação do "hit" (se é que vocês me entendem) de 2007 é uma grata surpresa nesse ano de 2010. Infelizmente por uma obra do destino, o filme veio a ser lançado após a escolha do nosso representante na premiação do Oscar ano que vem.


Tropa de Elite 2 é o melhor filme nacional dos últimos tempos, por conseguir duas proezas: ser uma sequência superior ao filme original e ser um filme de ação/policial que corrobora numa reflexão pós-sessão de cinema.

Parece clichê esse papo de "soco no estômago", "jogar a merda no ventilador", mas essas seriam expressões adequadas para designar o que é a trama desse filme.




O roteiro é muito bem amarrado, agregando coisas novas e revisitando algumas que já foram vistas no filme anterior.
Wagner Moura é o centro do filme. Sua atuação (que já era impressionante) evoluiu consideravelmente. Aliás, sobre atuações, não tem como falar uma por uma, todo o elenco está excepcional! Para aquelas pessoas (como eu) que se irritam com o padrão teatral dos filmes nacionais, temos aqui exemplo de como é encarar o papel na raça, transmitindo toda aquele naturalidade em situações mais improváveis e dramáticas que o filme possa oferecer. A ação é substituída pela tensão na maior parte do filme. Então se prepare, não será uma jornada fácil.

Enfim, não é mais um filme de favela, não é mais um filme de drogados, não é mais um filme de corruptos e não é mais um filme global. Eis um filme que pensa e faz pensar, sem medo algum. Um filme para todo o mundo ver com prioridade aos brasileiros.





Nome Original: idem
Ano: 2010
Duração: 116 minutos
Direção: José Padilha
Roteiro: Bráulio Mantovani, baseado em argumento de José Padilha, Rodrigo Pimentel e Bráulio Mantovani
Elenco: Wagner Moura, André Ramiro, Maria Ribeiro, Milhem Cortaz, Pedro Van Held, Seu Jorge, Irandhir Santos, Tainá Müller e André Mattos

Imagens: Divulgação

quarta-feira, 6 de outubro de 2010

Crítica: Tropa de Elite

Em certo momento de Tropa de Elite, o aspira Matias (André Ramiro), na faculdade, diz que os playboyzinhos deveriam, antes de reclamar da intervenção da polícia, parar de comprar seus baseados de fim de tarde da mão dos traficantes. Aproveitando o momento que estamos, de fervor político com as eleições, faço um paralelo: muitos jovens de classe média e alta reclamam de governantes corruptos, corrupção aberta, políticos mal-intencionados, mas, na hora de votar, escolhe o candidato mais bonito ou aquele famoso que ele vê no Ego ou no programa da Luciana Gimenez. Ou pior: chega a dizer que seu voto vale mais que o voto do pobre. Absurdo e cegueira. Reclamam da obrigatoriedade do voto, não querem sair na chuva ou largar a internet pra decidir o futuro do país. Mas esquecem, como bem citado pelo amigo Alcysio no blog dele, que muitos moradores de favelas e comunidades carentes, seriam obrigados a votar nos candidatos dos traficantes e das milícias. E sem o contra-peso do voto do outro lado da cidade, estes candidatos acabariam eleitos com boa margem.

Essa corrupção que a gente vê na política, e que o jovem reclama, mas não faz nada para evitar, é a origem da impunidade do chefe de polícia, que recebe a sua mesada pra deixar o tráfico tomar conta da favela, a punho de ferro. Aí o policial honesto vai tentar barrar o comércio de drogas lá embaixo, na cidade, entre os playboyzinhos da classe média, e esses mesmos playboyzinhos reclamam da truculência policial. E reclamam do político corrupto. Ciclo infinito, onde o país sai perdendo.

"Mas pera lá, Alailson, isso não era a crítica de Tropa de Elite? O que tem a ver isso que você tá falando?". Tudo, amigo. E se você não vê a relação, me desculpe, mas você precisa trabalhar seu intelecto.



Falar a sinopse do filme é quase desnecessário, já que 80% do Brasil já assistiu, mas vamo lá: Neto (Caio Junqueira) e Matias (Ramiro) são dois policiais honestos que não conseguem subir na corporação por conta da completamente disseminada corrupção. Por isso vão fazer o treinamento no BOPE (Batalhão de Operações Especiais), onde, supostamente, não há espaço para a corrupção e onde está o icônico Capitão Nascimento (Wagner Moura). (Sim, "supostamente", apesar do filme dizer que não há corrupção no BOPE, meu pessimismo e ceticismo me impedem de acreditar piamente nisso.)

Capitão Nascimento é adepto do famoso "bandido bom é bandido morto", por isso, não exita em torturar testemunhas ou inocentes para conseguir informações que o levem para o bandido. E até matá-los e colocar na "conta do Papa". Métodos absurdos, mas que nos faz acabar aceitando-os ali, dada a sensação de impunidade que os bandidos (inclui-se aqui os policiais corruptos) têm. E isso é o absurdo maior: pensar que só medidas drásticas e imorais podem resolver o problema, já enraizado no país.

José Padilha é soberbo ao mostrar cruamente a realidade da polícia e das favelas. Mas a soberba maior do filme é de Wagner Moura, que transforma o Cap. Nascimento numa figura fascinante, cheia de nuances, todas elas usadas com maestria por Wagner. Apesar de ser drástico e ir às últimas consequências no trabalho, Nascimento sabe que, ao mesmo tempo que é o único jeito viável, isso é errado. O que é demonstrado quando ele chega em casa, com semblante desolado e que desconta a raiva na mulher (Maria Ribeiro, contida e ótima), uma figura que, para ele, está abaixo dele.



André Ramiro e Caio Junqueira, como os aspiras, também carregam o filme em suas cenas. Junqueira como o impulsivo Neto e Ramiro como o inteligente e cauteloso Matias. Se no elenco coadjuvante não há um grande destaque, o ótimo é que ele mantém o bom nível de atuação do filme. Talvez, dentre os coadjuvantes, quem se destaque seja Milhem Cortaz, como o policial que, percebendo que perdeu espaço nos seus esquemas, tenta ingressar no BOPE.

O filme foi severamente criticado exatamente por não virar o rosto ou passar o cobertor em cima. O que é preocupante, já que mostra que boa parte da sociedade considera que se não ver o problema, ele não existe. Um erro, omitir-se é tão grave quanto os atos do tráfico, dos políticos ou do Cap. Nascimento. Mas para esse pessoal que criticou o filme, não, eles acham que tão acima disso. Não estão. Pelo contrário.

Tropa de Elite 2 estreia essa sexta-feira nos cinemas e também terá crítica, a ser postada nesse final-de-semana, mais tardá segunda-feira. José Padilha volta pra direção e Wagner Moura e André Ramiro para seus papéis.





Nome Original: idem
Ano: 2007
Duração: 118 minutos
Direção: José Padilha
Roteiro: Bráulio Mantovani, José Padilha e Rodrigo Pimentel
Elenco: Wagner Moura, André Ramiro, Caio Junqueira, Milhem Cortaz, Fernanda Machado e Maria Ribeiro.

Imagens: Divulgação

terça-feira, 28 de setembro de 2010

Crítica: Pokémon - O Filme

Pokémon foi uma das séries animadas que mais fez sucesso em todos os tempos. Começou no videogame, ou melhor, no Game Boy, lá em 1996. Eram os RPGs Pokémon Red e Pokémon Green. Um sucesso estrondoso, que originou outros jogos e o anime, que consolidou de vez Pokémon como uma marca, um nome próprio. Qualquer pessoa que viveu a infância/adolescência nos anos 90, com acesso à TV, conhece e gosta de Pokémon. Ou melhor, ama Pokémon. E esse sou, um amante de Pokémon. Tanto pelo anime quanto pelos jogos. E pelos filmes, ou melhor, pelos três ou quatro primeiros filmes. O fato é que a ganância e o não saber onde parar, fizeram com que Pokémon se estragasse, gradativamente. Após uma primeira temporada perfeita, uma segunda ótima e uma terceira ok, a série desandou. Mas isso é papo pra outro texto, pois esse aqui é sobre o filme, o primeiro, Mew vs. Mewtwo (ou Mewtwo Contra-Ataca), lançado em 1998 (aqui no Brasil só em 2000), quando a segunda temporada se inciava lá fora, mas aqui, no Brasil, era o meio da primeira temporada.

E antes de começar a analisar o filme, alguns fatos: se você parar pra ver o filme sem conhecer a série, não vai gostar. E é fato isso, o filme não se vale sozinho. Aliás, analisando friamente, o filme é ruim. Muitos discursos desnecessários, repetições e erros na dublagem (no monitor aparece o Scyther e a equipe Rocket fala Alakazam, mas aqui o erro fica todo na conta do estúdio de dublagem brasileiro). Se eu fosse analisar friamente, como alguém que nunca assistiu à série, a nota seria 2/5, isso sendo bonzinho. Mas é impossível desconsiderar a série, que foi parte importante na minha infância, acompanhou meu crescimento. Ou desconsiderar os jogos, que roubaram tantas horas da minha vida, que se fosse calcular, chegaria a meses jogando Pokémon. Portanto, se você nunca jogou os RPGs ou nunca assistiu à série, aconselho a não seguir lendo, pois falarei na linguagem do filme. Serei anti-ético pela primeira vez.



O filme conta a história do Mewtwo (Guilherme Briggs), um pokémon criado em laboratório pela Equipe Rocket. Mewtwo é um clone de Mew, um lendário pokémon e considerado o mais forte que existe. A Equipe Rocket conseguiu extrair DNA de fósseis do Mew e fez o clone. Mas Mewtwo acabou se tornando muito forte e destruiu o laboratório e se virou contra a raça humana e contra os pokémons que defendem os humanos. Ele se passa por um grande Mestre Pokémon para atrair os maiores treinadores e, assim, clonar seus pokémons e começar a revolução.

O filme é um épico (novamente: para nós, fãs). Todas as grandes batalhas que sempre queríamos ver estão lá (Venusaur! Blastoise! Charizard! Gyarados! Mew! Mewtwo!). É claro que o principal que temos aqui é a questão existencial e os pontos negativos de viver em guerra. Algo repetido à exaustão durante o longa, o que chega a comprometer um pouco o ritmo, mas algo completamente relevante, se levarmos em consideração a intensidade e a emoção que permeiam todo o longa.



A Equipe Rocket foi sub-usada, o que é bom, pois o uso em excesso deles para alívio cômico partiria o filme em dois, o que prejudicaria demais o já quase comprometido ritmo. O ponto alto do filme fica para a batalha entre Mew e Mewtwo, que se anuncia durante todo o longa e a excitação causada por aquela luta é enorme. Um clímax de ação impecável. Já o clímax emocional - e maior do filme - fica por conta de Pikachu e Ash (Fábio Lucindo). Pikachu, ao evitar luta e não desferir um golpe sequer contra seu clone e Ash, ao tentar acabar com aquela luta sem sentido. Alô fã, pode chorar, você está autorizado.

Ao assistir ao filme hoje, era do estúpido politicamente correto, é gratificante ver que nos anos 90 não havia essa preocupação idiota de ser certinho. Mewtwo explode o laboratório com todos os cientistas dentro, sem hesitação. Hoje, se um filme/programa infantil fizer isso, será execrado pelo lado hipócrita da sociedade. Lado hipócrita, esse, cada vez maior, infelizmente. Pokémon e os outros desenhos desses áureos anos 90 e início do século XXI, nunca se preocuparam com politicamente correto, o que explica o imenso sucesso de Dragon Ball, Dragon Ball Z, Cavaleiros do Zodíaco, Shurato, Yu Yu Hakusho, Digimon e tantos outros. Então é uma pena que essa geração seguinte esteja pegando esses desenhos certinhos, veremos o resultado negativo disso daqui a 10, 15 anos, quando eles serão os adultos e, consequentemente, a engrenagem mais forte da sociedade.



O filme foi aos cinemas aqui no Brasil e no Home Video em VHS. Uma edição limitadíssima em DVD em que vinha junto com o segundo filme, Pokémon 2000. E só. Uma pena, pois quem viveu Pokémon, hoje já está trabalhando (a maioria, pelo menos). E a nostalgia sempre vai existir, então o DVD teria boa saída. Uma edição especial de relançamento (em Blu-Ray também, por quê não?) seria vista com bons olhos. Basta a Warner Bros. querer, torçamos para que ela o faça, seria lindo ter Pokémon na prateleira. Enquanto ela não faz isso, a saída encontrada pelos fãs é procurar por essa internet o download do filme...





Nome Original: Gekijōban Poketto Monsutā Myūtsū no Gyakushū/Pokémon, the First Movie: Mewtwo Strikes Back
Ano: 1998
Duração: 75 minutos
Direção: Kunihiko Yuyama
Roteiro: Takeshi Shudo
Elenco de dublagem brasileira: Fábio Lucindo, Guilherme Briggs, Márcia Regina e Alfredo Rollo.

Imagens: Reprodução e divulgação

quinta-feira, 26 de agosto de 2010

Crítica: As Melhores Coisas do Mundo

Best things of the fucking world


Filmes que abordam a adolescência tem aos montes, pois é um tema que dá pra andar por quase todos os gêneros. Por outro lado, não são todos que conseguem retratar esse "universo juvenil" de maneira convincente e verossímil. Não é um trabalho fácil, reconheço, mas não justifica o fato de que muitos filmes preferem abordar uma juventude clichê, sem mostrar a realidade adolescente como ela é. Felizmente, isso não se encontra em As Melhores Coisas do Mundo.

Inspirado na série de livros Mano, de Gilberto Dimenstein e Heloísa Prieto; e dirigido por Laís Bodanzky (Bicho de Sete Cabeças, Chega de Saudade), o filme conta a história de Hermano, um garoto de 15 anos que precisa encarar os problemas comuns da adolescência e ainda tem que acompanhar a separação de seus pais. Se apaixonar, ter desejos, querer conhecer coisas novas, sentir medo, agir sem pensar, pensar demais e não agir... Isso é o que o adolescente faz, e Mano faz exatamente o mesmo. Nada de apelação, o filme apresenta personagens que podem ser encontrados em qualquer lugar.


Para aproximar ainda mais o filme da nossa realidade, a equipe recebeu a ajuda de adolescentes para ilustrar mais a mente dos adultos responsáveis pelo roteiro e direção, adicionando situações e diálogos do cotidiano. Isso sem falar do elenco juvenil, que além de corresponder corretamente com as idades, os atores conseguiram surpreender com atuações que beiram a realidade. E o elenco adulto caminha junto.

É certo que as gerações mudam, as tendências são outras, os costumes se modificam. O filme utiliza a linguagem moderna da juventude atual, mas também passeia pelo rústico, pelo clássico. Uma hora o blog fica para trás, e o diário à mão ganha destaque. E nada melhor que Beatles para musicalizar essa transposição.

Não se engane em achar que o longa fica apenas em abordar as alegrias e decepções dos adolescentes. É maior do que parece ser. É um filme leve, mas carrega um peso nas costas, e em determinados momentos joga no telespectador. E a certeza disso é quando o título do filme se torna uma ironia.


Eu nunca tinha assistido um filme brasileiro no cinema, e confesso que nos últimos anos nenhuma produção nacional me despertou interesse para pagar um ingresso (isso não significa que nenhum valesse a pena). Foi uma alegria poder começar com este filme excelente, um dos que mais pude me identificar assistindo. Um retrado da nossa juventude – e da vida, porque não? – e tudo que há de melhor e pior nela.





Nome original: As Melhores Coisas do Mundo
Ano: 2010
Duração: 107 minutos
Direção: Laís Bodanzky
Roteiro: Luís Bolognesi
Elenco: Francisco Miguez, Gabriela Rocha, Denise Fraga, José Carlos Machado, Caio Blat, Gabriel Ilanes, Fiuk, Gustavo Machado, Paulo Vilhena

Imagens: divulgação

Crítica: Karatê Kid

Pick up your jacket


Todo mundo conhece o Sr. Miyagi e o exercício de pintar a cerca que ele passava para o jovem Daniel. Todo mundo conhece e gosta desse filme, que ficou eternizado como um dos maiores clássicos da época áurea da Sessão da Tarde. E não só: o filme também fez sucesso lá fora, de público e crítica, colocando Pat Morita, o Sr. Miyagi, entre os indicados ao Oscar de melhor ator coadjuvante daquele ano. E é claro que com essa onda de remakes que inunda a Hollywood atual, Karatê Kid não iria escapar. E é uma grata surpresa que seu remake seja um excelente filme, ao contrário do que acontece com a maioria dos remakes.

A história não é novidade: pra conseguir respeito dos valentões da escola e da família da garota, o garoto, Dre (Jaden Smith), tem aulas de Kung Fu com o Mr. Han (Jackie Chan), o homem da manutenção. “Kung Fu”? Hã? É, apesar de manter o karate no nome, a arte marcial usada nesse é o kung fu, já que a trama se mudou para a China. Mas por quê diabos a China? Explico.



A China é o país que mais cresce no mundo, já é a segunda maior economia no planeta, atrás apenas dos EUA. E os EUA, ainda sofrendo com a crise financeira, depende da China, já que os americanos importam bastante da China, por conta do custo menos elevado em comparação a outros centros de importação (Cabe aqui um parênteses: torçamos pra que os EUA não quebre, já que a China importa muita matéria-prima brasileira na fabricação dos produtos que exporta aos EUA, seu maior comprador. Ou seja: se os EUA pararem de comprar da China, os chineses também diminuirão a compra de matéria-prima brasileira, o que causaria um grande impacto negativo em nossa economia). A China, por sua vez, precisa de propaganda, para atrair outros importadores e turismo, pra movimentar sua economia. E não só isso: a China também precisa de mão-de-obra especializada, vinda de fora, então nada melhor que fazer um filme que mostre uma China receptiva a estrangeiros. Um detalhe que mostra essa preocupação do filme é a quantidade de crianças estrangeiras na escola, o que nos leva a crer que seus pais se mudaram para o país vermelho para trabalhar. E foi justamente o que aconteceu com a mãe de Dre (interpretada pela sempre interessante Taraji P. Henson).

E o filme acerta ao dispensar certas explicações, que só inchariam o filme e que são realmente dispensáveis, por exemplo: qual o trabalho da mãe de Dre?, onde está o pai do garoto? etc. E o diretor Harald Zwart (A Pantera Cor-de-Rosa 2) e os roteiristas também mostram inteligência ao dispensar explicações para a rivalidade entre o Mr. Han e o professor da escola de kung fu, mostrando que os dois já se conheciam e que têm pensamentos diferentes sobre a arte marcial apenas pelos olhares trocados pelos dois, contando, aqui, com as atuações de Yu Rong Guang e Jackie Chan.



E falando nele, o astro de Police Story mostra que, diferentemente do que muitos pensavam, ele não é apenas um cara que faz filmes de luta e comédias, mas sim um grande ator. Apesar de não chegar na força de Pat Morita no primeiro Karate Kid, Jackie Chan tem uma atuação firme e segura e mostra um surpreendente e imenso talento em uma cena mais forte (alguns críticos estadunidenses estão afirmando que Chan merece uma indicação ao Oscar; talvez seja exagero, mas devido à escassez de candidatos, quem sabe?). O outro destaque fica para Jaden Smith, filho de Will Smith (que produziu o filme). O garoto mostra com talento o descontentamento de se mudar para um país com uma cultura completamente diferente, sensibilidade em uma cena em especial com Jackie Chan, uma química ótima com Chan e uma grande entrega física. Além de mostrar desenvoltura nas coreografias das lutas, Jaden ainda protagoniza uma cena ao melhor estilo Jean-Claude Van Damme (você vai saber que cena é essa quando a vir).

A trilha sonora de James Horner também merece destaque, tanto a instrumental, que se mostra acertada tantos nas cenas de luta, na cena de fuga ou nas cenas mais sentimentais; quanto as músicas escolhidas, que vão de AC/DC a Lady Gaga. O ponto baixo fica para a música dos créditos, Never Say Never, cantada por Justin Bieber e Jaden Smith (não é perseguição, juro!), mas vale acompanhar os créditos, que exibe fotos da produção, o que mostra que Will e Jada Pinkett Smith acompanharam de perto o filho Jaden durante o filme.

Essa versão de 2010 não chega a ser melhor que o filme de 1984, mas consegue chegar ao mesmo patamar. E tem uma vantagem sobre o original: em beleza coreográfica, o kung fu é muito melhor que o karate. Apesar da longa duração (135 minutos), em momento nenhum o filme soa cansativo ou arrastado, graças a bela direção de Zwart, a trilha sonora, a direção de arte e as paisagens chinesas, ainda mais bonitas com a fotografia de Roger Pratt. Já que Hollywood não deve parar tão cedo com os remakes, fica a torcida para que, de agora em diante, surjam mais remakes dignos, como esse Kung F… digo, Karatê Kid.





Nome original: The Karate Kid
Ano: 2010
Duração: 135 minutos
Direção: Harald Zwart
Roteiro: Christopher Murphey e Robert Mark Kamen
Elenco: Jackie Chan, Jaden Smith, Taraji P. Henson, Wen Wen Han, Zhenwei Wang, Yu Rong Guang

Imagens: divulgação

domingo, 8 de agosto de 2010

Crítica: A Origem

O labirinto, o trem e o elefante


Christopher Nolan é um dos melhores "extratores" que conheço.

Ele desenvolve aqui um dos seus melhores trabalhos. Não, esse não é apenas um filme, é um labirinto, o mais hipnótico labirinto construído pelo cineasta.

O filme logo triunfa por conseguir um feito: a integral atenção da platéia. Era visível a concentração dos espectadores, com olhos vidrados na tela, deixando de lado os comentários corriqueiros numa sala de cinema e suas guloseimas. Todos focavam-se na película.

O visual do filme é impecável. O excelente trabalho de fotografia e a poderosa trilha de Hans Zimmer nos conduzem pela história que vai se desenvolvendo de forma natural. As informações estão lá, ditas ou interditas, basta apenas prestar atenção. Tudo é no momento certo e a partir daí o filme cresce.


Conforme estudamos os personagens e as situações a quais eles são submetidos, percebemos que o truque está acontecendo é conosco. Nós somos o experimento. A cada camada de sonho, a cada acontecimento, temos aquela sensação claustrofóbica que vai ficando cada vez mais evidente, e quando o clímax explode é aquele momento em que os ombros encolhidos voltam ao normal e nos recostamos na poltrona.

Nolan brinca com a mente de seu público. Ele vai implantando as informações e cabe a nós extraí-las de nós mesmos.

O elenco do filme está brilhante. É notável a entrega de cada um para o personagem. A equipe é coesa, todos tendo a chance de marcar presença na história.

Enfim, este é o filme do ano. Ouso até dizer que é um dos melhores filmes dos últimos tempos.

Obrigatório. Sem mais.





Nome original: Inception
Ano: 2010
Duração: 148 minutos
Direção: Christopher Nolan
Roteiro: Christopher Nolan
Elenco: Leonardo DiCaprio, Ellen Page, Joseph Gordon-Levitt, Marion Cotillard, Ken Watanabe, Tom Hardy, Cillian Murphy, Tom Berenger, Dileep Rao, Michael Caine, Lukas Haas, Pete Postlethwaite

Imagens: divulgação

domingo, 18 de julho de 2010

Crítica: Kick-Ass - Quebrando Tudo

O horror de ser um herói


O protagonista acende a luz, e ao se olhar no espelho fica perplexo vendo seu rosto ferido. Não é a primeira vez que ele sofre ferimentos desse tipo, mas ao ver seu reflexo ali, percebe que não basta "apenas" ter uma ideologia; é preciso saber encarar as dores que esse caminho lhe trará. Ele quis entrar de cara nesse mundo, e voltou com o rosto ensanguentado.

Ser um herói nunca foi como parecia ser.

Este é Dave Lizewski, um adolescente comum, fanático por revistas em quadrinhos, nunca foi popular e não se relaciona muito bem com as garotas. Certo dia ele lança a seguinte pergunta: porque ninguém nunca tentou ser um super-herói? Afinal, com todos esses quadrinhos e filmes por aí, é meio difícil imaginar que ninguém nunca tentou até agora. Mas não importa se seus amigos dizem que um herói na vida real iria morrer em um dia, Dave compra uma roupa de mergulho no eBay, arranja dois bastões e sai às ruas para combater o crime, se autodenominando Kick-Ass. Após ser filmado em uma briga com alguns marginais, o vídeo cai na internet e ele se torna conhecido por todos, incitando o surgimento de novas figuras mascaradas.

Kick-Ass - Quebrando Tudo, terceiro filme do diretor inglês Matthew Vaughn, é baseado na graphic novel homônima escrita por Mark Millar e ilustrada por John Romita Jr. A HQ funciona como uma desconstrução do gênero e choca por ser bastante violenta e cínica ao mesmo tempo. A adaptação pros cinemas traz algumas mudanças em relação à isso: sai o cinismo, e o clima pessismista dá lugar ao otimismo. O humor negro continua de pé, e a violência se torna mais verossímil.


Humor e drama são fatores bastante explorados no longa, e servem também como uma representação do próprio personagem principal. Para Dave, a ideia de se tornar um herói era animadora e empolgante no começo, mas com o tempo ele percebeu o quanto isso exigia dele.

Durante a narrativa, vamos conhecendo os outros personagens, alguns deles também sendo os novos heróis depois de Kick-Ass. Big Daddy e Hit-Girl (pai e filha) são dois "profissionais" que matam criminosos sem piedade, e agem fora dos olhos da população. Já Red Mist é aquele que preferiu garantir destaque na mídia e a simpatia do povo, e logo se une ao Kick-Ass para patrulharem juntos.
No final das contas, todos eles acabam indo rumo à mesma finalidade: Derrumar a máfia da cidade, liderada pelo chefão Frank D'Amico.


Aaron Johnson interpreta perfeitamente o protagonista, assim como Christopher Mintz-Plasse, no papel de Red Mist. Nicolas Cage como Big Daddy é excepcional, com seus trejeitos peculiares, e Chloë Moretz dá um show em cena como Hit-Girl. Esses dois merecem destaque por conseguirem uma química perfeita, fazendo com que a relação carinhosa entre eles, quando não estão fantasiados, seja agradável de se acompanhar.

As cenas de luta e de ação são todas muito bem feitas, passando por coreografias naturais, como na cena do Kick-Ass brigando com marginais na rua, e indo até às mais estilizadas, como as sequências da Hit-Girl. As canções da trilha sonora surgem para fazer a combinação perfeita. Mas a trilha instrumental (composta por mais de um compositor) também se destaca. A música sempre foi um fator importante, e em Kick-Ass ela consegue dar vida ao tom do filme, seja qual for o clima que a cena pede.
Fãs de Danny Boyle poderão perceber músicas de alguns de seus trabalhos, sendo uma delas uma versão alternativa de Adagio In D Minor, da trilha de Sunshine - Alerta Solar, que toca numa sequência de ação incrivelmente bem dirigida.


A "polêmica" do filme com os fãs da HQ foi as mudanças de adaptação, pois Vaughn optou por trazer novos elementos à trama e eliminar alguns já existentes. O falso mistério do surgimento do Red Mist não existe mais, porém o personagem ganhou um ótimo desenvolvimento. Existem outras mudanças mais significativas, mas não chegam a prejudicar a história.

Nas duas mídias,
a história mostra de perto toda a tragédia que é ser um herói no "mundo real". No caso da versão cinematográfica, o quesito emocional é mais aprofundado, então fica fácil o telespectador sentir mais pelos personagens. Vai de cada um escolher qual versão mais lhe agrada, porém uma coisa é certa: por trás de uma premissa simples, existe um extenso conteúdo artístico na obra.

Kick-Ass veio para quebrar tudo, realmente.





Nome original
: Kick-Ass
Ano: 2010
Duração: 117 minutos
Direção: Matthew Vaughn
Roteiro: Jane Goldman, Matthew Vaughn, Mark Millar
Elenco: Aaron Johnson, Christopher Mintz-Plasse, Chloë Moretz, Nicolas Cage, Mark Strong, Clark Duke, Evan Peters, Lyndsy Fonseca

Imagens: divulgação

sábado, 19 de junho de 2010

Crítica: Toy Story 3

Ao infinito e além, onde cinco estrelas não são o suficiente


Primeiro veio Toy Story, todo o apuro visual, os personagens que todos aprenderam a amar, o roteiro brilhante e a revolução no jeito de fazer um longa de animação: completamente feito em computação gráfica. Depois, o não tão bom – mas divertido – Vida de Inseto. Em seguida, a sequência de Toy Story, onde novos personagens surgiam e o universo era ainda maior e o filme no nível do primeiro. Depois, a conciliação de perfeição visual (já pararam pra pensar como é difícil fazer os pêlos do Sully?) e estética (o melhor fundo do mar do cinema) com histórias lindas em Monstros S.A. e Procurando Nemo. Os problemas familiares de Os Incríveis, a velocidade de Carros e a amizade e repulsa ao preconceito de Ratatouille. Daí, o aparente ápice do estúdio, com o chapliniano robozinho Wall-E e todas as outras homenagens, principalmente a 2001 – Uma Odisseia no Espaço, que fez nos apaixonarmos pelo protagonista e pela EVA. Mantendo o nível do anterior, chegou o badalado Up – Altas Aventuras, com Carl Frederiksen, Russel, Dug e Kevin, colocando a Pixar entre os indicados ao Oscar de Melhor Filme pela primeira vez. Sim, o ápice era aparente. Porque o que parecia perfeito, conseguiu melhorar, se aperfeiçoar. O novo ápice da Pixar é seu mais novo filme: Toy Story 3.

O universo você já conhece: os brinquedos têm vida e fazem tudo pra que seus donos se divirtam com eles. A história do terceiro filme é a seguinte: Andy (John Morris), hoje com 17 anos, não brinca mais com seus brinquedos e, agora que vai sair de casa pra ir à faculdade, tem que escolher um destino para os brinquedos que restam. Andy, então, decide guardar seus amigos no sótão, com exceção de Woody (Tom Hanks), que ele guarda nas coisas que irão com ele pra faculdade. Por um acidente, todos os brinquedos vão parar como doação numa creche, a Sunnyside. Creche, essa, que parece o paraíso para brinquedos rejeitados, abandonados e esquecidos. Lá somos apresentados a diversos novos personagens. Agora Woody, Buzz (Tim Allen), Jesse (Joan Cusack) e companhia terão que enfrentar diversos desafios e percalços para voltar à casa de Andy.



Ao contrário do que um filme normal em um estúdio normal faria, Toy Story 3 não transforma Andy num adulto frio. Pelo contrário, o roteiro de Michael Arndt (Pequena Miss Sunshine) mostra de maneira extraordinária que crescer não é fácil, e a hesitação de Andy de doar seus amigos de uma época inocente e pura que não volta mais, é não menos que soberba. Outro ponto forte do filme é já começar mostrando os brinquedos sob o olhar do Andy criança, para, em seguida, acompanharmos o crescimento dele sob os “olhos da mãe” (câmeras caseiras).

Desnecessário falar da abordagem do filme quanto à amizade, preconceito, autoritarismo, abandono etc. E o humor, então, que todos já conhecemos e adoramos, está lá. Tudo. Do jeito que a gente gosta. O mau-humor do Sr. Cabeça-de-Batata, a covardia e inocência de Rex, o Buzz voltando a achar que é um patrulheiro espacial, a “estabanação” de Woody… e agora um componente a mais: a “vaidade” de Ken, o famoso boneco namorado da Barbie. E a personalidade de todos os personagens estão impecáveis, nunca caindo em clichês que facilmente poderiam acontecer. A firmeza demonstrada pelos brinquedos num momento em que tudo parecia perdido é tocante e genial.



Seguindo o padrão Pixar, tecnicamente o filme também é irretocável. A animação é sensacional como sempre, com movimentos fluidos e expressões fantásticas. A direção de arte também se sobressai: o quarto de Andy, antes mesmo dele aparecer mais velho, já denuncia seus novos interesses, já que o antigo e conhecido papel-de-parede de nuvens, agora está coberto de posters e tudo o mais; a creche também é muito bem feita, detalhista e real, combinando a sala comportada com a sala das crianças mais novas, desde a bagunça, objetos jogados, desenhos pendurados ou fixados à parede… tudo impecável. A fotografia também é estupenda, mudando sutilmente a paleta nos diversos ambientes, mostrando só com isso perigo, segurança ou alegria, mas o faz sem parecer ofensiva. Alguns efeitos de iluminação também engrandecem o trabalho de Jeremy Lasky, diretor de fotografia (a “sala de tortura” é fantástica).

O clímax do filme é espetacular e desesperador, e conduzido de maneira perfeita pelo diretor Lee Unkrich. A trilha sonora de Randy Newman também não deixa por menos, e simplesmente se coloca a franca favorita ao Oscar 2011. Falando em Oscar, não é absurdo pensar que Toy Story 3 não só repetirá o sucesso de Up – Altas Aventuras, como deve também ser um dos grandes favoritos nas principais categorias. E todas as lágrimas acumuladas durante todo o filme, serão despejadas sem dó com a cena final. Este é o melhor filme do estúdio, e se continuar se superando desse jeito nos próximos filmes, se algum conseguir ser melhor que Toy Story 3, vou começar a ficar com medo da Pixar.

Três adendos:

1 – O curta exibido nos cinemas junto com Toy Story 3, Dia & Noite, é simplesmente sensacional, lindo, tocante, inteligente e inventivo. Chegue com boa antecedência à sala de cinema pra poder assisti-lo já confortável na poltrona;

2 – O filme tem a aparição de um personagem que conhecemos no primeiro filme, será que você reconhece?

3 – Agora com a trilogia fechada, Toy Story fica em pé de igualdade às trilogias de Senhor dos Anéis e Poderoso-Chefão como as melhores de todos os tempos.





Nome original: Toy Story 3
Ano: 2010
Duração: 103 minutos
Direção: Lee Unkrich
Roteiro: Michael Arndt, a partir de conceito de Andrew Stanton, John Lasseter e Lee Unkrich
Elenco: Tom Hanks, Tim Allen, Joan Cusack, Michael Keaton, Blake Clark, Don Rickles, John Morris

Imagens: divulgação

Crítica: Up - Altas Aventuras

A minha maior aventura...


Eu me lembro de que logo depois de ter visto esse filme no cinema, ainda com os olhos vermelhos de tanto chorar, confessei a um amigo meu que aquele teria sido sem a menor dúvida o clássico da minha geração. Lembro-me de ter dito algo mais ou menos assim: "Sempre esperei por um filme que me encantasse de tal maneira que eu o levaria sempre comigo, através dos anos, até o fim da minha vida. Aquele filme que eu assistiria inúmeras vezes. Eu o veria com os meus filhos, depois com os meus netos e assim por diante.". Lembro de ter dito isso e minha voz ter até falhado devido a emoção que emanava ao descrever o filme que eu havia acabado de ver.

O filme em questão trata-se do novo triunfo da Pixar. O estúdio arrisca-se mais uma vez ao trabalhar com novas possibilidades, unindo em uma única trama personagens tão distintos e ao mesmo tempo tão semelhantes. Dividem a tela o velho rabugento Carl Fredericksen e o falastrão explorador da natureza Russel.

Carl é um vendedor de balões de 78 anos aposentado e viúvo. Amargurado e prestes a perder a sua casa, ele toma fôlego para realizar uma viagem em busca do Paraíso das Cachoeiras, localizado na América do Sul. Sua casa "alça vôo" com a ajuda de milhares de balões. Mas tudo ameaça dar errado quando ele percebe que não está só nessa viagem, o pequeno Russel acaba fazendo inadvertidamente parte dessa jornada.


Encontram-se ali duas gerações que durante todo o filme dividirão experiências de vida e concluirão uma só coisa: a vida independente de como ela seja, será sempre uma aventura. Para tanto, desenvolve-se uma história que ganha vida através da singularidade de cada personagem. Além de Carl e Russel, lá estão: o fiel cachorro falante (!) Dug e a ave Kevin (!) - Dois personagens que despertam fortes características ocultadas pela cara amarrada do sr. Fredericksen.

A Pixar nos entrega aqui o filme mais forte e tocante de sua carreira. Pela primeira vez, assuntos como: morte, perda e recomeço são abordados de forma clara e intensa. A sequência inicial é fantástica por conseguir sintetizar a vida de Carl em apenas quatro minutos, acentuando os seus momentos mais marcantes. Prepare uma caixa de lenços.


O filme destaca-se também pela parte técnica. O visual é primoroso (embora não supere o de Wall-e). A música composta por Michael Giacchino é soberba! É daquelas trilhas que já nascem clássicas, comprovando assim o já anunciado talento do músico.
Destaque também para a dublagem brasileira que ficou simplesmente perfeita! Chico Anysio foi uma escolha mais que acertada para ser a voz de Carl Fredericksen.

Não consigo traspor tudo o que sinto em relação a esse filme. É puro coração. É a prova de que não existem barreiras para se contar uma boa história, seja ela com personagens reais ou animações. Mas não se engane, com uma história dessas, não duvido que esse velho rabugento tenha mesmo existido.

Trabalho mais do que digno de Oscar. Uma legítima obra-prima.

E que a Pixar voe cada vez mais alto em busca de novas aventuras.


P.S.: Esquilo!





Nome Original: Up
Ano: 2009
Duração: 96 minutos
Direção: Peter Docter e Bob Peterson
Roteiro: Peter Docter e Bob Peterson
Elenco: Christopher Plummer, Edward Asner, Jordan Nagai, Bob Peterson, John Ratzenberger e Ellie Docter

Imagens: divulgação

Crítica: Wall-E

Uma odisseia "chapliniana" no espaço


Wall-E tem início com a forte imagem da atual situação (no filme, não a nossa… ainda) do Planeta Terra: pilhas de lixo compactado, quente e praticamente deserto, a não ser pelo autor da compactação do lixo: Wall-E (Ben Burtt). O robozinho foi criado e programado pra isso, pra limpar a Terra enquanto os humanos fugiram pra viver em uma nave no espaço, a Axiom. É claro que não era somente ele, eram vários, mas só este aguentou as condições climáticas e o trabalho excessivo e contínuo depois de 700 anos! Até que um dia surge uma nave estranha do céu e dela sai uma robô diferente, branca, “moderna” (seu design foi feito com a ajuda de designers da Apple) e feminina. É EVA (Elissa Knight), a quem o solitário Wall-E (só tem a companhia de uma simpática baratinha) logo se interessa e passa a seguir. No começo ela não dá atenção ao nosso protagonista, mas ele é insistente e logo ela (junto com a gente) começa a ceder aos encantos do robozinho, até que algo inesperado acontece e a nave volta pra buscar EVA e Wall-E, desesperado, vai atrás dela. E vai parar justamente na nave onde os humanos vivem.

O primeiro “diálogo” do filme surge apenas aos 23 minutos de projeção. Apesar da “demora”, o filme não é em momento algum cansativo, já que todo esse primeiro ato serve pra mostrar a degradação da Terra causada pelos humanos. Tudo é feito com maestria graças ao excelente design de produção, ao excelente trabalho do diretor Andrew Stanton, que conduz com soberba habilidade a narrativa e, também, graças à trilha sonora de Thomas Newman, indicada ao Oscar. A fotografia também é outro ponto alto, com suas cores saturadas. Aliás, o diretor de fotografia contratado é ninguém menos que Roger Deakins, conhecido por ter fotografado filmes como O Assassinato de Jesse James Pelo Covarde Robert Ford, Uma Mente Brilhante, O Leitor, além de vários trabalhos com os irmãos Coen. Todo esse design do primeiro ato serve pra fazer um contraste maravilhoso com tudo que encontraremos na Axiom; todas as cores, a tecnologia evoluidíssima etc.



Também no primeiro ato, a personalidade de nosso querido robô que batiza o filme é completamente desenvolvida. E temos aqui um exemplar eletrônico de Charles Chaplin! Sim, queridos leitores, Wall-E nada mais é que uma homenagem a um dos maiores ícones do cinema de todos os tempos. A pureza, a simplicidade, a curiosidade, o jeito atrapalhado, a paixão por experiências novas e os olhos. Sim, Wall-E se comunica e expressa suas emoções de maneira sensacional com seus olhos, bem como Chaplin (quem não lembra do olhar do Vagabundo no final de Luzes da Cidade?). E o que dizer da coleção de Wall-E? Retira do lixo os objetos que ele se encanta, desde cubo mágico, até lâmpadas. E sem esquecer, é claro, da fita do filme Alô, Dolly, de 1969, o filme preferido de Wall-E (será que não é o único filme que ele conhece?). Uma imagem que contém um simbolismo enorme é uma em que ele encontra uma caixinha com anel brilhante dentro e logo se livra do anel e fica com a caixinha.

A turma de coadjuvantes também não fica atrás. EVA puxa o grupo como o interesse de Wall-E, determinada e inteligente, ela se encaixa perfeitamente na personalidade do protagonista. M.O., o robozinho aficcionado por limpeza, é garantia de sinceras risadas em todas as suas cenas e se firma (porque não?) como um dos melhores e mais divertidos coadjuvantes da filmografia da Pixar. E AUTO, praticamente uma re-encarnação de HAL9000, de 2001 – Uma Odisseia no Espaço, também rivaliza com os outros personagens em cena. Falando em 2001 – Uma Odisseia no Espaço, é interessante observar as inúmeras homenagens que Wall-E presta ao maior clássico da ficção-científica dirigido por Stanley Kubrick. As mais óbvias são o AUTO e a música Assim Falou Zaratustra, o eterno “tema” do longa de Kubrick.



O filme teve seis indicações ao Oscar em 2009, mas poderiam (deveriam) ter sido sete, pelo menos, já que a Disney fez forte campanha pra que Wall-E estivesse entre os indicados a Melhor Filme, não apenas entre os de Melhor Animação. O que, infelizmente, acabou não acontecendo, gerando até um certo desconforto na Academia, com a evidente injustiça. Injustiça essa, que a Academia tentou consertar colocando Up – Altas Aventuras na categoria no ano seguinte. Além de Melhor Animação (o único Oscar que Wall-E levou pra casa), o filme foi indicado a Melhor Roteiro Original, Melhor Trilha Sonora, Melhor Canção Original (Down to Earth) e Melhor Som e Mixagem de Som, que foram feitos pelo ilustre Ben Burtt, que fez os sons de Star Wars.

Wall-E se firma com uma clássico contemporâneo, como um dos grandes e mais importantes filmes desse século. Intelectualmente, o filme mais trabalhado. O mais adulto também, diga-se. Mesmo assim, o fascínio que Wall-E provoca não vê idades, já que conquista a todos. E é, diferentemente da maioria dos filmes que tratam da vulnerabilidade e fraqueza humana, extremamente otimista, onde somos guiados por um robô de volta ao caminho da redescoberta da importância de conhecer coisas novas, de viver coisas novas, de ser livre de preconceitos e/ou excessivo apego material, a resolução de que devemos aceitar diferenças, conviver com elas, aceitá-las e apreciá-las. Descobrir novamente que esse planeta é a nossa casa, e que temos que cuidar bem dela juntos, pois somos todos moradores dela. Pra ela, não há fronteiras de países, não há distinção de cor, credo ou opção sexual. E é assim que nós, humanos, devemos nos portar. Esse é o caminho. Wall-E é uma obra-prima. Uma ode ao amor. Uma ode à vida!





Nome Original: Wall-E
Ano: 2008
Duração: 98 minutos
Direção: Andrew Stanton
Roteiro: Andrew Stanton
Elenco: Ben Burtt, Sigourney Weaver, Elissa Knight, Jeff Garlin

Imagens: divulgação

quarta-feira, 16 de junho de 2010

Crítica: Ratatouille

Homem ou rato afinal?


Imagine um rato na cozinha. Parece nojento, não é?
Uma das coisas mais legais é saber brincar com as antíteses da vida. Improváveis parcerias sendo colocadas a prova em mais um maravilhoso filme dos Estúdios Pixar.
Conheça Rémy, um rato que sonha em se tornar um grande chef. Só que sua família é contra a idéia, pois sua condição de rato não permite que ele permaneça numa cozinha sem ser atacado por um humano enfurecido. Um dia, enquanto estava nos esgotos, ele fica bem embaixo do famoso restaurante de seu herói culinário, Auguste Gusteau (Brad Garrett). Ele decide visitar a cozinha do lugar e lá conhece Linguini (Lou Romano), um atrapalhado ajudante que não sabe cozinhar e precisa manter o emprego a qualquer custo. Rémy e Linguini realizam uma parceria, em que Remy fica escondido sob o chapéu de Linguini e indica o que ele deve fazer ao cozinhar.

Após ter criado mundos alternativos, a Pixar decide focar-se em uma história totalmente ambientada no mundo "humano", especificamente em Paris. A cidade luz, conhecida pelos seu clima nostálgico de lindos cartões-postais e dos melhores restaurantes. É nesse inspirado ambiente em que acompanhamos a jornada do astuto Rémy em busca do seu maior sonho.
É um filme que deve ser visto. Embora não seja o melhor do estúdio, Ratatouille tem uma indentidade única, um filme despretensioso que aos poucos vai alcançando o coração de quem assiste.

É como se aos poucos lembrássemos de velhos sonhos da infância que ficaram esquecidos com o passar do tempo. Tem algo naquele rato que representa muito bem esse lado da aceitação e de que um verdadeiro dom pode emanar de qualquer um. Eu sei que parece um discurso meio viajado, mas um filme bom como esses me faz pensar nessas coisas.

Não comentarei sobre cenas, sequências ou falas.

Apenas uma sugestão da casa: prove desse filme!




Nome original:
Ratatouille
Ano: 2007
Duração: 111 minutos
Direção: Brad Bird
Roteiro: Emily Cook, Kathy Greenberg, Jan Pinkava, Jim Capobianco e Brad Bird
Elenco: Patton Oswalt, Lou Romano, Peter Sohn, Brad Garrett, Janeane Garofalo, Ian Holm, Brian Dennehy e Peter O'Toole

Imagens: divulgação

Crítica: Carros

Diversão em velocidade equilibrada


Relâmpago McQueen é um famoso carro de corrida e o primeiro estreante a chegar à final de uma Copa Pistão. O sucesso fez com que ele confiasse demais em seu ego, direcionando seus faróis para a fama e o desejado contrato com a equipe Dinoco.
Mas algo inesperado acontece na corrida decisiva do campeonato: Relâmpago empata com os outros dois líderes da temporada, e os três terão que competir numa outra corrida para se ter o campeão. Durante a viagem para o destino da decisão, McQueen acaba se perdendo acidentalmente e indo parar numa outra estrada, levando-o para uma cidadezinha esquecida chamada Radiator Springs.

Essa é basicamente a trama inicial de Carros, 7º longa-metragem da Pixar Animation Studios.


O primeiro desafio do estúdio ao realizar o filme provavelmente foi o de criar uma história num mundo habitado somente por carros e outros automóveis e veículos. Para isso era preciso adaptar vários elementos do nosso cotidiano para que se encaixassem no filme, e foi uma tarefa que se mostrou muito bem realizada pois, junto com os sentimentos, motivações e ações inseridos nos personagens, em muitos momentos esquecemos que o que estamos vendo são máquinas, e não pessoas.

O protagonista Relâmpago, ao chegar em Radiator Springs, é mantido preso pelo xerife da cidade até consertar os estragos causados na estrada pela sua chegada conturbada. Lá ele conhece um companheiro e enferrujado caminhão-reboque chamado Tom Mate, a Porsche Sally, entre outros simplórios moradores da pequena cidade. Aos poucos McQueen desiste de encontrar uma maneira de escapar e passa a ver nos "caipiras" carros que ele aprendeu a chamar de amigos.


A história se preocupa em mostrar a evolução do personagem principal. Enquanto vemos isso, acompanhamos as várias situações divertidas que o filme proporciona, algumas delas envolvendo os moradores de Radiator Springs. Filmore, a Kombi hippie, por exemplo, é dona de algumas das ótimas sacadas engraçadas do longa.

A turma de secundários no geral é bastante divertida. Mate mostra ser um leal e verdadeiro amigo, que conquista facilmente o público. Sally não é lá uma personagem tão interessante, mas funciona bem junto ao Relâmpago.
Outros personagens que conseguem arrancar boas risadas são os italianos Luigi e Guido.


Talvez o filme se torne um pouco cansativo depois de seu segundo ato, por diminuir um pouco o ritmo. Mas não é algo que se sobrepõe, pois a comédia e o drama ajudam a manter o nível até o ato final, onde volta a emoção das corridas.

O filme teve uma participação no Oscar, concorrendo ao prêmio de melhor animação (categoria que a Pixar faz a festa praticamente todos os anos), mas acabou perdendo para o excelente Happy Feet.

A animação ganha pontos por explorar assuntos como amizade, companheirismo e também a redenção de caráter. Carros pode realmente não ter o mesmo impacto que a maioria dos filmes do estúdio têm, mas mesmo assim eu o considero um filme digno da Pixar. Humanizar tão bem elementos inumanos que na visão de muitos têm "vida" é algo que, por si só, já merece meu respeito.





Nome original: Cars
Ano: 2006
Duração: 116 minutos
Direção: John Lasseter, Joe Ranft
Roteiro: Dan Fogelman, John Lasseter, Joe Ranft, Kiel Murray, Phil Lorin, Jorgen Klubien
Elenco: Owen Wilson, Bonnie Hunt, Larry the Cable Guy, Paul Newman, Tony Shalhoub, John Ratzenberger, Cheech Marin, Michael Keaton

Imagens: divulgação
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